O Mapa

São mapas criados exclusivamente para o esporte. São precisos, detalhados e estão preparados para uma "escala humana", ou seja, o terreno e as características que aparecem no mapa são aquelas que uma pessoa, ao mover-se nessa área, observa facilmente.
São desenhados seguindo regras bem definidas pela IOF (Federação Internacional de Orientação) que têm como objetivo normalizar a sua criação em todo o mundo. Os mapas de Orientação não apontam o Norte Geográfico, mas sim o Norte Magnético.

Cartografia Específica de Orientação

Uma das características da Orientação enquanto modalidade desportiva é a cartografia específica necessária. Assim, todas as provas oficiais dos calendários competitivos da IOF (e da CBO) têm forçosamente de ser organizadas em Mapas de Orientação.

Estas especificações estão definidas em três diferentes documentos, consoante a natureza da prova:

  • ISOM: International Specification for Orienteering Maps (Especificação Internacional para Mapas de Orientação)
  • ISSOM: International Specification for Sprint Orienteering Maps (Especificação Internacional para Mapas de Orientação - Sprint)
  • ISmtbOM: International Specification for Mountain Bike Orienteering Maps (Especificação Internacional para Mapas de Orientação em BTT)

Pode-se ler na introdução do ISOM que “a Orientação é um desporto praticado em todo o mundo, sendo por isso essencial uma abordagem comum ao desenho e interpretação dos mapas de Orientação para uma competição justa e para o crescimento futuro desta modalidade.

É também muito importante que o terreno seja rico em elementos que permitam criar desafios de navegação aos atletas.

Conteúdo de um Mapa

Sendo o Mapa de Orientação um mapa topográfico detalhado, contém as características do terreno que sejam óbvias para um orientista em corrida. Nele se insere tudo o que possa influenciar a leitura do mapa ou a escolha de rotas: relevo, formações rochosas, tipo de superfície, velocidade de progressão através da vegetação, áreas de cultivo, hidrografia, zonas privadas e casas individuais, rede de caminhos, outras linhas de comunicação e todas as demais características úteis à orientação.

A forma do terreno é uma das características mais importantes num Mapa de Orientação. A utilização de curvas de nível é essencial para a representação de uma imagem tridimensional do terreno (a sua forma e variação em altitude).

Os limites entre os diferentes tipos de superfície fornecem importantes pontos de referência para o utilizador do mapa. É muito importante a correta apresentação destes elementos no mapa.

A velocidade do orientista e suas opções de itinerário são influenciadas por muitos fatores. Informação sobre todos estes fatores é fornecida no mapa através da classificação dos caminhos, da indicação da transponibilidade de zonas alagadiças, zonas aquáticas, paredes rochosas e vegetação e mostra os tipos de superfície e a presença de áreas abertas. Limites de vegetação bem definidos no terreno também são desenhados no mapa, visto que são úteis para a sua leitura.

O mapa contém linhas de norte magnético e poderá conter nomes de locais e outro texto periférico que possam ajudar o seu utilizador a orientá-lo para Norte. Texto dentro da área do mapa deverá ser colocado de modo a que não obscureça outras informações e o seu estilo de letra deverá ser simples.

As linhas de Norte Magnético são paralelas aos limites da folha do mapa, podendo conter setas na sua extremidade superior.


Simbologia do Mapa de Orientação

Os elementos do mapa estão classificados em cinco categorias: relevo; terreno rochoso e pedras; água e pântanos; vegetação; elementos construídos. Para além destes, existem também os símbolos utilizados para os percursos que, ao nível das especificações oficiais, são considerados como símbolos dos mapas.

Relevo (castanho)

A forma do terreno é representada a castanho por curvas de nível detalhadas e por alguns símbolos especiais para representar cotas, depressões, etc. O relevo é complementado de preto com os símbolos para rochas e falésias.

Exemplos:

Terreno rochoso e pedras (preto + cinzento)

A inclusão das rochas é útil para avaliar perigos e velocidades de progressão. Fornece também elementos para uma melhor leitura do mapa e para pontos de controle. As rochas são representadas a preto para se distinguirem de outros elementos de relevo.

Exemplos:

Água e pântanos (azul)

Este grupo inclui zonas aquáticas e tipos especiais de terreno criados pela presença de água (pântanos). A classificação é importante visto que indica o grau de dificuldade que se apresenta perante o orientista e fornece elementos (poços, nascentes e outros) para a leitura do mapa e para pontos de controle.

Exemplos:

Vegetação (verde + amarelo)

A representação da vegetação é importante para o orientista porque indica a velocidade de progressão e a visibilidade, fornecendo também elementos (árvores, troncos, etc) para a leitura do mapa.

Exemplos:

Elementos construídos (preto)

A rede de caminhos fornece informação importante ao orientista e a sua classificação deve ser facilmente reconhecível no mapa. É particularmente importante a classificação de trilhos menores. Deve ser considerada não apenas a largura mas também a visibilidade do caminho para o orientista. Outros elementos construídos (casas, vedações, etc), são também importantes tanto para a leitura do mapa como para a colocação de pontos de controle.

Exemplos:

Símbolos dos percursos (magenta)

Conjunto de símbolos utilizados para a representação do percurso no mapa. Inclui símbolos para partida, chegada, ponto de controle, etc.


Abaixo, fragmentos de mapas de orientação e resumo da simbologia usada nos mesmos.
Cartografia específica para provas de Sprint

As provas de Sprint divergem em vários aspectos das mais longas e tradicionais formas de Orientação Pedestre. Enquanto as provas de Orientação são organizadas tradicionalmente em zonas de floresta, as provas de Sprint organizam-se normalmente em zonas de parque e terreno urbano. Esta expansão do clássico terreno de floresta para parques e zonas urbanas apresenta novos desafios à cartografia de Orientação. A Especificação Internacional para Mapas de Orientação (ISOM 2000) já contém símbolos que formam a base para a representação dessas zonas. No entanto, para assegurar competições justas de Sprint, esse conjunto de símbolos necessitou de uma revisão e extensão de forma a melhor incorporar as referidas zonas de parque e urbanas.

Assim, derivado das referidas restrições e obrigatoriedades, foi criado o ISSOM, com alguns princípios que, em certas situações, se afastam significativamente dos definidos no ISOM.

Cartografia específica para Orientação em BTT

Os mapas para Orientação em BTT baseiam-se nas especificações para os mapas de Orientação Pedestre. No entanto, de modo a respeitar as necessidades específicas do mapa face à natureza da Orientação em BTT, foi necessário criar algumas variações e suplementos às especificações para os mapas de Orientação Pedestre. Todas estas regras e símbolos especiais estão descritos no ISmtbOM (Especificação para Mapas de Orientação em BTT).